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Mostrando postagens de 2018

quando a memória insiste em acolher lembranças de uma outra vida

quem diria logo minha maior aposta minha maior certeza puxando meu tapete de verdades absolutas minha memoria outrora tão efêmera que um dia escorrera demasiado fácil entre meus dedos insistindo numa lembrança já gasta pelo tempo quando mais precisei do maior defeito  quando precisei daquilo que caracterizou meu eu desde que sei de mim desde de quando me percebo ~eu~ o es.que.ci.men.to evapora como se nunca fosse tão intimo a mim como se nunca tivesse existido ou  como um brincante pregando peças como bem entende a seu bel prazer -  lembrança que não se deixa esquecer  - marcada no corpo  abaixo da pele pa.ra.si.tan.do. como quem comprou casa o ontem tão hoje a imagem-memória límpida como um filme 3D como se tivesse sido ontem agora mesmo, há poucos minutos (quase da pra encostar) ah essa vida deve ser mesmo uma velhinha irônica de cabelos prateados acomodada numa poltrona enquanto faz apostas ...

Longa jornada copo adentro

Quando menos se espera chega um sinal enviado diretamente do passado tu.tu.tu. Que faz o corpo correr para o copo Corpo em copo (en.garrafa) Virando tinto  Escorrendo ao contrário Já faz dias que é líquida (Meses) Shhhh Escorre Shhhh Gota por gota Embalando a noite infinita Gotas ritmicas com potência de embalar aquilo que já foi Shhhhh Bebe um gole enquanto uma vela ilustra a lei da impermanência   Já foi o que não é Já era o que já foi (O que se tem aqui e agora nesse tempo eternizado por palavras tatuadas em cor-luz?) Isso não é bom Bem que poderia ser Se for  Então que seja logo Se for  Como saber antes que se saiba? Esse rio escorrendo... correndo Onde se corre e escorre junto Borboletas pousando em um nariz solitário Duetos com passarinhos perdidos entre as resistentes árvores da selva de pedra Bem que poderia ser Se for Então que seja Se for Como saber antes que se tenha certez...

NÓS EM NÓS (sobre a falta de escuta por todos os lados)

PRÓLOGO Desde que um muro virou um muro que veio abaixo, vieram abaixo as certezas e as ideologias.   tijolo por tijolo certeza por certeza o mal e o bem viraram sintomas pertencentes à fluidez humana e não mais características totalizantes e maniqueístas estrutura que vem abaixo pós-estrutura que desestrutura capitulo primeiro NÃO HÁ CÂNONES ALGUMA COISA OU ALGUÉM   SÓ ESTÁ SENDO   NADA É   "ESTAR SENDO" ESTÁ SUJEITO A MUDANÇA (TUDO É QUESTÃO DE PERSPECTIVA) capitulo segundo HIATO GERACIONAL a educaçao é um ato de amor, por isso um ato de coragem. não pode temer o debate. a análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. (um tal de Paulo falou isso. Freire) capítulo terceiro A REVOLUÇÃO SERÁ DECOLONIAL a dúvida está a serviço do futuro. não deve ser rechaçada em detrimento de uma verdade absoluta patriarcal branca & e.u.r.o.c.e.n.t.r.i.c.a colonizada ...
a.p.a.i.x.o.n.a.d.a. (doida desvairada) entregue & d e s l u m b r a d a : estou indo viver esse amor pensar em descansar no colo dela por uns dias me embriaga a vista embarga a voz a intuiçao exigindo fincar meus pés (sem pensar muito) amarrar minha existência nela por alguns anos e viver esse amor i.n.t.e.n.s.a.m.e.n.t.e. que seja eterno enquanto dure e que dure o tempo que tiver que durar (logo eu to pousando em ti pra ficar!) enquanto isso to chegando pra viver essa lua-de-mel antecipada 1001 NOITES EM 7 porque 'eu sei que vou te amar ....' já amava antes mesmo de conhecer é cliché, claro (afinal o cliché se torna cliché por algum motivo) porque ELA ela não me completa mas me transborda porque (minha deusa!!!) ELA me transforma na melhor versão de mim mesma updating 2.0 existe amor sim volto a acreditar ...

quase

ela já pode ver uma pétala da primavera chegando anunciando retornos o retorno do sol e o de saturno (que vai chegar de uma forma ou de outra) já é quase primavera! e.qui.nó.cio enfim a escuridão durando o tempo equivalente ao dia (ufa!) equilíbrio florescendo na copa das árvores quase quase primavera (ipês que pintam novamente as ruas da capital gaúcha espectro de cores desfrutado em flores & frutas) de.sa.bro.char. parece que quando setembro chega traz junto a sensação de esperança de uma não-se-sabe-ao-certo-como-definir sensação grandiosa que inflama o coração e rasga sorrisos antes endurecidos pelo frio o sol refletindo novos brilhos em velhos olhos porque é quase primavera inaugurando on repeat -nova roupagem para conhecidas sensações- o eterno retorno em diferença & repetição em uma estação favorita: pegou um trem pra dentro de si (bosques inexplorados ainda aguardando o desabrochar da mulherprimavera) na pla...

: tentando :

. . olha olha bem isso tudo esse tropicão numa esquina essa bagunça -big bang- . . olha mas olha bem olhado esse encontro de dois pontos dois m u n d o s : um ponto girando até cair no meio-fio; outro ponto vivendo a flor da pele sem nem perceber -dois pontos tentando entender- . . dois lugares distintos distantes dois países olhou bem? -dois pontos tentando entender- (tentando entender) complexidades cidades idades (continentes de gente) . . falando através de linguagem de sinais inventada (através da pele) o dialeto como arte emergindo nos poros . . olha mesmo (mas olha de verdade!) -são dois pontos tentando entender- são dois pontos: são dois.. . . olhou? acho que enfim consegui enxergar dois pontos: . . também estou tentando entender

sobre pele & outras superfícies invisíveis

o que a gente tem de sobra é química eu falo do arrepio que me dá só de ver teu corpo de pé no mesmo espaço que eu e dessa vontade animalesca de voar em cima de ti e arrancar toda tua roupa de uma só vez lamber toda a extensão da tua pele sentir o peso do teu corpo em cima do meu e o balanço que teu quadril faz sem perceber (como se esses corpos soubessem exatamente o que fazer quando colados) se esfregando devagar e depois forte um beijo entre lábios suculentos (os grandes e os pequenos) molhados de nós teu olhos fixos nos meus como quem não quer imaginar outra cena que não a da realidade desses corpos dançantes em cima do sofá na banheira no banheiro da universidade na cama de um estranho deitadas ou de pé -sujar os lençóis limpos da tua cama- teus olhos fixos nos meus como quem não quer perder as nuances sutis de prazer estampadas na minha cara eu tô falando de química daquela vontade de morder tua cabeça e chu par teu cotovelo porque c...

Crer Ser Crescer

Quando eu era pequena e sentia dores nas pernas minha mãe dizia que era porque crescer dói. “Dor-de-crescimento!”, ela dizia. E dói. Dói mesmo, os ossos espicham: não é fácil e não tem como ser. Primeiro os ossos, acompanhados pelos músculos e pele… depois os pelos, depois os peitos… O sangue que começa a escorrer uma vez por mês e não para mais.  Além dessa aventura biológica louca do crescer, tem as primeiras experiências que a acompanham. O primeiro ôni bus sozinha, a primeira escola no centro da cidade...Depois a primeira noite na cidade baixa e o primeiro baseado que amorteceu todos os músculos e trouxe gargalhadas insanas. Também tem o primeiro beijo hetero, depois o primeiro beijo gay e a primeira namorada. O primeiro sexo. Tem o primeiro término que vem junto com a primeira vez que se acha que nunca mais vai parar de sentir aquela dor. Me pergunto sobre esse crescer que quase alcança os 30 anos de vida. A altura estabilizada, o peso aumentando e baixando dependendo da fa...

HI A TO

É impressionante o quanto esta sala é pequena. Ou será eu que não caibo aqui? Me parece tão pequena... Abarrotada de desnessidades. A estante recheada de livros não lidos; A poltrona cuidadosamente colocada ao lado do abajur herdado da tia Nair; O livro ainda marcado na página 144; O sofá e eu aqui em desacordo com todo o resto Sinto cheiro de café mas não tenho bem certeza se é manhã. O relógio fixado na parede ainda marca 11h16. Foi quando ele parou de funcionar, me lembro. Me lembro do dia. Não sei se foi ontem ou semana passada. Que dia é hoje mesmo? Não consigo me lembrar. Acho que hoje é... hoje...Isso! Deve ser hoje, hoje. E deve fazer sol lá fora, porque hoje está sendo hoje. Eu abriria as janelas mas elas emperraram. Da última vez não consegui abrir apesar de forçar durante uns minutos e ralar minhas mãos tentando. Já faz tempo. Quanto tempo eu não sei precisar, mas quando pensei no tempo que eu estava me esforçando para saber sobre o tem...

Marielle Presente

sinto as dores fortes do parto parindo milhares delas juntas sangrando 9 meses bem agora jorro que escorre nas coxas de todas nós dos olhos de todas nós parindo mil mortes sentindo a dor daquilo que nasce em óbito cólica que revira útero explodindo jorrando o sangue implorando o vômito de tanta dor enquanto a lua mingua em peixes lá no alto minguam milhares de sereias aqui embaixo sinto todas vocês em mim mitológicas bruxas ancestrais: mulheres sentem dor em manada eles não podem calar nosso uivo

não é céu

.agora essa música me faz lembrar do futuro. me fez lembrar bem agora, numa sorte ou revés do aleatório do spotify. o som dentro dos ouvidos.  on the road . a roda que gira no asfalto ainda quente nesse cair de noite que nunca chega. o sol viveu um eclipse parcial hoje que não conseguimos ver desse canto latino, mas deu pra sentir. se deu. inspiro e expiro na tentativa de entender esse não-lugar que faz os km passarem por debaixo dos meus pés flutuantes e descansados no estofado de um desconhecido. na janela: uma pintura futurista e quase lisérgica que não congela nunca. eu tento fotografar com os olhos algum fragmento de todas essas árvores apressadas que correm para um passado geográfico: concreto e fictício, ao mesmo tempo. deixar pra trás. estou zombando das dores. das minhas das tuas e das dos outros dois ou quatro ou que sejam mais. porque o vento continua existindo com ou sem dor na lombar ou de uma sinusite que não foi convidada. porque ela nunca é bem-vinda mas vem ensina...