Quando eu era pequena e sentia dores nas pernas minha mãe dizia que era porque crescer dói. “Dor-de-crescimento!”, ela dizia. E dói. Dói mesmo, os ossos espicham: não é fácil e não tem como ser. Primeiro os ossos, acompanhados pelos músculos e pele… depois os pelos, depois os peitos… O sangue que começa a escorrer uma vez por mês e não para mais. Além dessa aventura biológica louca do crescer, tem as primeiras experiências que a acompanham. O primeiro ôni bus sozinha, a primeira escola no centro da cidade...Depois a primeira noite na cidade baixa e o primeiro baseado que amorteceu todos os músculos e trouxe gargalhadas insanas. Também tem o primeiro beijo hetero, depois o primeiro beijo gay e a primeira namorada. O primeiro sexo. Tem o primeiro término que vem junto com a primeira vez que se acha que nunca mais vai parar de sentir aquela dor. Me pergunto sobre esse crescer que quase alcança os 30 anos de vida. A altura estabilizada, o peso aumentando e baixando dependendo da fa...