(LUZ DE UM SOL QUE ESCAPA POR DETRÁS DO CONCRETO) Ela já não sabia que horas era. Era dia, é verdade. Sabe disso porque consegue sentir o calor do sol queimando parte do seu corpo colocado desajeitado no meio da cama. A luz havia estado ligada toda a noite. O telefone toca no andar de baixo. Ela escuta. Não esboça reação. - "Deve ser umas 10 da manhã", pensou enquanto acendia o cigarro. Apesar de estar nesse lugar, nesse hipotético lugar, onde não se tem muito controle dos pensamentos, ela escuta também a vida na rua: - saltos decididos indo para a esquerda; - sirene ao longe; - Furadeira no concreto (As furadas na parede se davam de dois em dois segundos) O pensamento vaga longe. A uns 12 quilômetros talvez. É por estar nesse lugar. Nesse hipotético e tão concreto lugar onde não se tem muito controle dos pensamentos. - "Isso é obsessão"; julga. Obsessão que aos 16 anos poderia tranquilamente ser definida como paixão. Já faz tempo que não tem ...