Tô querendo falar de amor. Há um tempo eu quero falar. F A L A R R R R Mas a voz não sai . Eu coloco a energia necessária para haver som saindo da minha boca em forma de palavras, mas algo acontece no caminho do dizer e a voz não sai. Seleciono as minhas palavras preferidas do dicionário para organizar o que quero falar de uma maneira que concorde com o indizível dos meus pensamentos, mas a voz insiste em sair muda. As palavras que seleciono cuidadosamente rebatem em cada um dos cantos do meu corpo, por baixo da epiderme, ecoam e se perdem no caminho da boca. Não tenho mais voz para o amor. Ou me calei depois de tanto me deparar com ouvidos surdos para ele. Porque ainda há ouvidos, é verdade - há ouvidos abertos para falar de encantamento, de trocas pontuais de suor & poesia, que se encerram em si mesmas tal como uma peça de teatro ou uma brincadeira que enjoa antes mesmo de começar. Fico pensando quantos alguéns, dentre esses 6 bilhões...