.agora essa música me faz lembrar do futuro. me fez lembrar bem agora, numa sorte ou revés do aleatório do spotify. o som dentro dos ouvidos. on the road. a roda que gira no asfalto ainda quente nesse cair de noite que nunca chega. o sol viveu um eclipse parcial hoje que não conseguimos ver desse canto latino, mas deu pra sentir. se deu. inspiro e expiro na tentativa de entender esse não-lugar que faz os km passarem por debaixo dos meus pés flutuantes e descansados no estofado de um desconhecido. na janela: uma pintura futurista e quase lisérgica que não congela nunca. eu tento fotografar com os olhos algum fragmento de todas essas árvores apressadas que correm para um passado geográfico: concreto e fictício, ao mesmo tempo. deixar pra trás. estou zombando das dores. das minhas das tuas e das dos outros dois ou quatro ou que sejam mais. porque o vento continua existindo com ou sem dor na lombar ou de uma sinusite que não foi convidada. porque ela nunca é bem-vinda mas vem ensinar a pausar. e o tempo continua passando junto com as árvores e os cabelos continuam crescendo mesmo que a gente não perceba. já tenho 4 cabelos brancos e o fio da existência aqui é tão tênue, tão invisível e brutal quanto tudo aquilo que não se pode entender mas se morre tentando. é nesse fluxo que a gente chega em outro Estado. é nesse fluxo que a gente chega em outro estado. vá por aí evaporar. tudo é doido nessa vida, Ramil. é sim. a gente percorre tantos km geográficos e outros tantos km metafóricos: estou inventando polegadas pra atravessar um deserto de mim. navegar é impreciso, preciso de ornamentar minhas asas.
Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra. Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago. Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...
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