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não é céu

.agora essa música me faz lembrar do futuro. me fez lembrar bem agora, numa sorte ou revés do aleatório do spotify. o som dentro dos ouvidos. on the road. a roda que gira no asfalto ainda quente nesse cair de noite que nunca chega. o sol viveu um eclipse parcial hoje que não conseguimos ver desse canto latino, mas deu pra sentir. se deu. inspiro e expiro na tentativa de entender esse não-lugar que faz os km passarem por debaixo dos meus pés flutuantes e descansados no estofado de um desconhecido. na janela: uma pintura futurista e quase lisérgica que não congela nunca. eu tento fotografar com os olhos algum fragmento de todas essas árvores apressadas que correm para um passado geográfico: concreto e fictício, ao mesmo tempo. deixar pra trás. estou zombando das dores. das minhas das tuas e das dos outros dois ou quatro ou que sejam mais. porque o vento continua existindo com ou sem dor na lombar ou de uma sinusite que não foi convidada. porque ela nunca é bem-vinda mas vem ensinar a pausar. e o tempo continua passando junto com as árvores e os cabelos continuam crescendo mesmo que a gente não perceba. já tenho 4 cabelos brancos e o fio da existência aqui é tão tênue, tão invisível e brutal quanto tudo aquilo que não se pode entender mas se morre tentando. é nesse fluxo que a gente chega em outro Estado. é nesse fluxo que a gente chega em outro estado. vá por aí evaporar. tudo é doido nessa vida, Ramil. é sim. a gente percorre tantos km geográficos e outros tantos km metafóricos: estou inventando polegadas pra atravessar um deserto de mim. navegar é impreciso, preciso de ornamentar minhas asas.

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