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Mostrando postagens de 2010

NÓS FAZEMOS TEATRO

Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro. Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil. Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro. Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos. Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes. Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obr...

A fragmentação em Woyzeck e a Ópera de Três Vinténs

Pensando na linha aristotélica, a história tem um desenrolar linear, com os acontecimentos se passando de uma forma contínua, demonstrando assim, uma certa 'realidade' nos fatos. Mas, Brecht e Büchner, dois dramaturgos do século XX, quebram com essa linearidade do tempo, onde se utilizam de uma fragmentação dos acontecimentos para a escritura de suas peças. Em Woyzeck, de Büchner, peça que não foi 'terminada' pois o autor falece antes de concluir, o autor utiliza-se de saltos entre suas cenas, sinalizando-as por títulos de onde aconteceria a cena, ou seja, o cenário de cada uma. A peça se dá com saltos, uma hora aparecem certos personagens, noutra outros. E assim, mesmo não seguindo a linha aristotélica de contar uma história no teatro, é contada a história de Woyzeck, que se baseia em fatos reais da época, envolvendo infidelidade, imobilidade de classes, aceitação de uma subvida,de Woyzeck quando cede seu corpo a experiências do Doutor, por uns trocados. Na peça de Bre...

Inferno e céu em três horas.

Eu estava lá, no breu do canto do AP de esquina, sentindo a minha testa formigar e dando importância a voz interior que gritava. A saia foi trocada. "Tá bem melhor assim!""Tá bem melhor assim!""Tá bem melhor assim!" O eco da frase contínuo, constante, irritante. Alguém me falou da morte. Da morte proposital e cruel. Eu só tenho a mim mesma! Precisava fugir. Roupa, maquiagem, chaves. Enfim, a liberdade. As vozes do mundo estavam lá onde não se podia mais praticar distinção dentre elas. Era um só som, desafinado, que servia de fundo. A voz principal era a minha. A de dentro de mim. Eu só tinha ouvidos para essa voz que me dava vergonha. Me jogava na cara os fatos. Que fazia eu me sentir um bobo-da-corte. O parelelepípedo me parecia mini montanhas árduas para escala. Enquanto eu escalava, pude ver uma silhueta, no meio da escuridão, mas que, mesmo assim, reconheci de forma convicta. Inércia. Meus músculos do corpo e da face pesaram como chumbo e mumificaram-s...