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Mostrando postagens de abril, 2025

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

mecânica-orgânica

Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...