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NÓS EM NÓS (sobre a falta de escuta por todos os lados)



PRÓLOGO
Desde que um muro virou um muro que veio abaixo, vieram abaixo as certezas e as ideologias. 
tijolo por tijolo
certeza por certeza
o mal e o bem viraram sintomas pertencentes à fluidez humana e não mais características totalizantes e maniqueístas
estrutura que vem abaixo
pós-estrutura que desestrutura

capitulo primeiro
NÃO HÁ CÂNONES

ALGUMA COISA OU ALGUÉM 
SÓ ESTÁ SENDO 
NADA É 
"ESTAR SENDO" ESTÁ SUJEITO A MUDANÇA

(TUDO É QUESTÃO DE PERSPECTIVA)
capitulo segundo
HIATO GERACIONAL

a educaçao é um ato de amor, por isso um ato de coragem. não pode temer o debate. a análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.
(um tal de Paulo falou isso. Freire)
capítulo terceiro
A REVOLUÇÃO SERÁ DECOLONIAL

a dúvida está a serviço do futuro.
não deve ser rechaçada em detrimento de uma verdade
absoluta
patriarcal
branca
&
e.u.r.o.c.e.n.t.r.i.c.a colonizada

capítulo quarto
COMPLEXO DE FORT-DA

quando um privilegiado vislumbra a possibilidade de perda de seus privilégios, o ego fere gerando uma histeria entre seus iguais
não há diálogo
mas troca de tiros
retrocesso

capítulo quinto
O INFERNO SÃO OS OUTROS

enquanto não houver o exercício diário de empatia
não haverá diálogo
é preciso escutar aqueles que vieram antes de nós
afim de desenvolver questões elaboradas em cima de estruturas firmes
olhar pra trás para olhar pra frente

capítulo sexto
ENQUANTO ISSO

quem detém o poder não está lendo nada disso
EPÍLOGO
É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE
NÃO TEMOS TEMPO DE TEMER A MORTE

(Um brinde à escuta e ao debate)

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2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

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Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...

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