Pular para o conteúdo principal

Marielle Presente

sinto as dores fortes do parto
parindo milhares delas
juntas
sangrando 9 meses bem agora
jorro que escorre
nas coxas de todas nós
dos olhos de todas nós

parindo mil mortes
sentindo a dor daquilo que nasce em óbito
cólica que revira
útero explodindo
jorrando o sangue
implorando o vômito
de tanta dor

enquanto a lua mingua em peixes lá no alto
minguam milhares de sereias aqui embaixo

sinto todas vocês em mim
mitológicas
bruxas ancestrais:
mulheres sentem dor em manada

eles não podem calar nosso uivo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pró-cura de si por si  ensimesmando-se dentro dissignificando significados e ângulos retos procura-se  obstusidades significâncias perspectivas de obscuridade visão oblíqua cavando-se bifurcações de verdades absolutas processos in destruction nos braços da transgressão do que não se vê do que está por dentro do contorno . o avesso do avesso do verso ego é oge ...

Só sei que nadar sei

Você e esses seus olhos marejados-marejantes convite para entrar e molhar os pés na sua íris Você e esses seus cachos espiralados-espiralantes chamado para invadir e pular as sete ondas dos seus cabelos Mas eu não sou de beiradas, afinal O oceano do seu ser me convoca a imergir naufragar afundar parar para respirar nas suas ilhas e morar um pouco em cada uma delas Descansar no tronco do seu corpo-árvore quando o céu da boca estiver cospindo estrelas para sua pele  Sonoridade celeste Que faz desvendar as constelações pintadas na epiderme À deriva  nada sincronizada A maré Já não sei saber Só deixar levar  Pelo repuxo de um mar profundo , revolto Que eu desejo me afogar E ser reanimada pelo mesmo mar Que me mostra que o horizonte ainda risca à nossa frente V olto a mergulhar Só sei que nadar sei