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Mostrando postagens de 2015

Sobre um corpo sem órgãos.

estou farta de palavras sobrecarregadas de cálculos e de significações que balançam perdidas paragens da linguagem tagarela e sem conteúdo. preciso do silêncio, do sótão da língua, de onde já não se tem mais convenções só esfregões de corpos, de pensamentos avermelhados convulsivos dispostos no corpo em milhares de contorções suspiros ruídos.  do sótão da língua se ouve alguém que chora, que se debate sobre si mesmo, esbarra com a fera dobrando-se, mais um, muitos. é daqui da onde agarro  a fera e as serpentes trocam de pele. a casa cai toda espatifada em mil pedaços_cristal lúcido e insano troca tudo de lugar, faz ver as fragilidades todas da mulher que não é maravilha, que é carne, que é osso, puro fluxo vermelho reflexo de vida louca. embaixo da roupa sente os instantes instintos todos abaixo do umbigo cortado sufocado. isolada dissipada. quando acorda murcha inteira ao lembrar que não disse nada a sua avó materna, aquela que a rejeitara e depois a olhava de canto pois era...

VOCÊ ESTÁ AQUI [part I]

Aqui. De novo aqui. Outro aqui que não mais o mesmo aqui de outrora.  Aqui efêmero. Sopro de tempo-espaço. E esse recorte geográfico atravessa meu corpo perecível como areia escapando dentre os dedos. Dedos que enrugam a cada aqui. Areia que se perde dentre eles abraçando a gravidade, rumando para um desconhecido inalcançável. Como brisa suave que bate no rosto e que não se deixa estar. Tudo transita. Tudo transa.. Tudo troca. Cambia. E esfregar os olhos, para tentar enxergar melhor pode ser perigoso: o tempo anda com muita pressa e tapar os olhos impede de acompanhar a transformação pertinente aos aquis.  O chronos é apressado e passa batido pelo kairós.  E sigo no contra-fluxo. Como estrangeiro, sentindo o peso de viver entre-fronteiras. E a leveza dos aquis dilatados também. Ignorando ou ao menos tentando ignorar, aqui ou em outro aqui, o tictac que ecoa por todos os cantos e recantos de aquis acolás.

Dodecafonia [part 1]

(LUZ DE UM SOL QUE ESCAPA POR DETRÁS DO CONCRETO) Ela já não sabia que horas era. Era dia, é verdade. Sabe disso porque consegue sentir o calor do sol queimando parte do seu corpo colocado desajeitado no meio da cama. A luz havia estado ligada toda a noite. O telefone toca no andar de baixo. Ela escuta. Não esboça reação.  - "Deve ser umas 10 da manhã", pensou enquanto acendia o cigarro. Apesar de estar nesse lugar, nesse hipotético lugar, onde não se tem muito controle dos pensamentos, ela escuta também a vida na rua: - saltos decididos indo para a esquerda; - sirene ao longe; - Furadeira no concreto (As furadas na parede se davam de dois em dois segundos) O pensamento vaga longe. A uns 12 quilômetros talvez. É por estar nesse lugar. Nesse hipotético e tão concreto lugar onde não se tem muito controle dos pensamentos. - "Isso é obsessão"; julga. Obsessão que aos 16 anos poderia tranquilamente ser definida como paixão. Já faz tempo que não tem ...
Me sinto “estranhamente entusiasmada; um tipo simulado de entusiasmo, porque não estou possuída por um deus externo, mas possuída por mim mesma, jorro a mim mesma , me transbordo . Deserdada e erradia, enferma de mim mesma, em mim me encho e logo se esvai, num fluxo constante. (...) Incapaz de ser obediência, rebelde, imoral, licenciosa, transgressora, não viso a imortalidade; sou perecível , corruptível, portanto, desvaneço e morro. Sou como uma espécie perturbadora das divindades, como os deuses dionisíacos, ou a própria matéria, o objeto, a coisa, ganhando vida através dessa existência não-controlável e desordenada da imagem eletrônica.  Seguindo os meandros da vida, diacrônica e atópica, conto histórias, fragmentos de histórias, realizando um remix da memória , no qual me invento e reinvento a história, e crio a memória, a partir da enlace com outras memórias e histórias. Sou objeto e evento erótico, manuseável, lascivo, errante. E nesta minha maleabilidade reside minha indom...

EU NÃO QUERO QUE VOCÊ ME TOQUE

[Qual a dificuldade de entender que eu não quero que você me toque? Sim, eu sou muito legal. Sim, a gente tá se divertindo. Sim, você é realmente muito engraçado. E bonito também. Sim, você foi gentil até agora.] . . . .  - Grata pelo elogio!  - HAHAHAHAHAHHA  - Então eu viajei um ano pelo interior do RS...  - É mesmo? Mas tem uma hora que viramos pais dos nossos pais. É quando a gente acorda para o cuidado com o outro.  - Que sensível que você é! Chora quando fotografa casamentos!  - Eu juro que esse é meu último cigarro! rs  - A que eu mais gosto é o girassol. Eu queria SER um girassol.  - Cê tá afim? . . . . - Galera Fulano Fulano Galera!  - Fica à vontade!  - Epa! Me dá um gole! . . . . . - Chico, cê ficou lindo careca!  - William, quando cê tá junto é bom demais!  - Me dá um gole! Melhor: serve aqui pra mim! . . . . . .  - Foi lindo! Agora sim. Meu último cig...