estou farta de palavras sobrecarregadas de cálculos e de significações que balançam perdidas paragens da linguagem tagarela e sem conteúdo. preciso do silêncio, do sótão da língua, de onde já não se tem mais convenções só esfregões de corpos, de pensamentos avermelhados convulsivos dispostos no corpo em milhares de contorções suspiros ruídos. do sótão da língua se ouve alguém que chora, que se debate sobre si mesmo, esbarra com a fera dobrando-se, mais um, muitos. é daqui da onde agarro a fera e as serpentes trocam de pele. a casa cai toda espatifada em mil pedaços_cristal lúcido e insano troca tudo de lugar, faz ver as fragilidades todas da mulher que não é maravilha, que é carne, que é osso, puro fluxo vermelho reflexo de vida louca. embaixo da roupa sente os instantes instintos todos abaixo do umbigo cortado sufocado. isolada dissipada. quando acorda murcha inteira ao lembrar que não disse nada a sua avó materna, aquela que a rejeitara e depois a olhava de canto pois era...