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Mostrando postagens de 2024

inverno arrastado

 o sol lá fora anuncia um forte verão pela frente é domingo e como é domingo, e tem sol lá fora, as pessoas estão espalhadas pelos parques da cidade, pelo menos uma parte delas outra parte está infurnada dentro dos vidros de um shopping com ar condicionado dando conta do calor que faz la fora e escondendo toda a paisagem que acompanha a quentura do dia outra parte, menor, permanece em casa, por preguiça, por opção, para descansar ou para trabalhar em serviços domésticos invisíveis já eu, estou trabalhando em uma tarefa operacional o suficiente para que eu possa escrever em desacordo com o resto mas em acordo com uma fatia bem grande de população que trabalha em escala 6x1  aqui, perto de um parque, vejo pessoas passando apressadas para chegarem debaixo de alguma sombra do computador que registro a compra de livros, tortas, taças e vinhos e ciabatas dessa livraria-café, vejo vultos passeando pelas portas de vidro da loja - queria eu estar no lugar delas? o calor não me seduz ne...

no poço todo mundo é um pouco fernando pessoa

e antes de sair do poço é preciso se deitar no poço, rolar no poço, beijar o poço e se fazer um só com ele. é preciso romantizar o poço para tirar o poço da experiencia individual para desmistificar o poço para desconstruir e decimentar as pedras concretadas que fazem o poço ser poço é preciso fazer um pouco morada do poço - mas não muito - como se fosse um airbnb nada familiar mas ainda assim um pouco confortável que te abriga do desconhecido lá de fora é preciso descrever os dias no poço para que ao ler se veja que até dentro dele há um tanto de beleza de poesia de inspiração para registrar memórias para inscrever no tempo para brincar de álvaro de campos todo mundo acha que é um pouco fernando pessoa dentro do poço embelezando toda a fúria toda chama ardente de raiva e tristeza que também compõe o estar dentro poço  e na hora de ir embora dele é preciso carregar bagagens pois o poço também deixa marcas rastros que se carrega para fora dele querendo ou sem querer e é preciso esca...

se você quiser

deixar pra lá o que é de deixar pra trás e dar vasão ao que o desejo quer desejar deixa estar deixa estar e deixar encostar o que tiver que encostar bem juntin, coladin, devagarin, isso é demais vem mais pertin, gostosin, o teu cheirin, cheiro de quero mais o ritmo de dois corpos se comunicando sem falar uma troca silenciosa mas tão barulhenta que dá pra escutar se você quiser se você quiser, eu quero (eu quero) já que te vi e que tu também me viu e a musica nos emprestou um ritmo febril pra durar deixa estar deixar o som tocar o que tiver que tocar o delírio de dois corpos no spotify rodando "Fullgás" um abajur cor de carne se é tudo um sonho não me acorde mais se você quiser se você quiser, eu quero (eu quero)

pretérito (im)perfeito

e a gente se encontrava e se abraçava forte como se fosse virar uma coisa só e passava os dias e a gente sentia saudade e a gente cozinhava juntas  e eu fazia hamburgers e trufas e tu fazia pizzas e bolos e a gente comia assistindo qualquer coisa que fosse possível maratonar e a gente pedalava juntas sentindo o vento na cara  e a gente dava muita risada dos outros, da gente, da vida e a gente vestia roupas combinando porque o cliché só é cliché porque de certa forma faz sentido e quando chegasse a noite a gente se acomodava na cama conchinha maior depois menor e depois a gente encontrava um novo encaixe pra 2 corpos na horizontal e de manhã a gente sorria feliz de se escolher mais um dia porque nesse faz-de-conta a gente queria a mesma coisa 

relance

 you don't me  se me conhecesse das duas uma ou fincava o pé junto de onde piso ou corria como diabo da cruz ou como devedor de agiota you don't know me at all  ainda que depois de algumas travessias lado a lado nosso lance é relance de novo outra vez de raspão de revesgueio relance de um lance um quase muito de qualquer coisa intensa no instante que as presenças existem num mesmo aqui impermanência de um encontro cola de contato  difícil desgrudar só sai com agua quente onde a chance de se queimar é bem grande lance que queima em 4° grau relance que bota dedo na ferida  e esse misto de dor e delícia de ser duas e se despedir de novo e mais uma vez ainda q não houvessem ruas que tudo fosse mato ou estivéssemos no deserto do saara ainda te encontraria de um jeito ou de outro lance magnético  difícil fugir com esses polos puxando desse jeito queria poder ter outras vidas pra poder te  encontrar e reencontrar de novo outra vez  me re-lanço on repeat ...