Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2016

00100011110001110

Tempo atemporal que paralisa & corre se deleita no paradoxo monarquia do ecrã de avaliações de cinco estrelas  de curtidas (ou da falta delas) que comentam & compartilham e desanimam em ausência As câmeras oculares transferem por wifi a fotografia em movimento (desde quando a música do despertador entra pelos ouvidos, até o momento que fica em stand by vendo um vídeo no Youtube) Interrompe o fluido filme orgânico Para congelar imagens em pixels  um pedaço do que o olho captura Mas espera! dá pra arrumar um pouco a paisagem acerta as cores, tira a sacola dali desse ângulo pode ficar melhor A câmera-olho recortada para a câmera acoplada (Deseja uma GO-Pro) Fome in metavisão  Século XXI e suas receitas milagrosas alquimias de ciências exatas (- Você quer emagrecer? Pergunte-me como!) de dietas detox de sucos verdes & amarelos &roxos que prometem acelerar o que ainda resta de biológico dessa vida cib...

Só sei que nadar sei

Você e esses seus olhos marejados-marejantes convite para entrar e molhar os pés na sua íris Você e esses seus cachos espiralados-espiralantes chamado para invadir e pular as sete ondas dos seus cabelos Mas eu não sou de beiradas, afinal O oceano do seu ser me convoca a imergir naufragar afundar parar para respirar nas suas ilhas e morar um pouco em cada uma delas Descansar no tronco do seu corpo-árvore quando o céu da boca estiver cospindo estrelas para sua pele  Sonoridade celeste Que faz desvendar as constelações pintadas na epiderme À deriva  nada sincronizada A maré Já não sei saber Só deixar levar  Pelo repuxo de um mar profundo , revolto Que eu desejo me afogar E ser reanimada pelo mesmo mar Que me mostra que o horizonte ainda risca à nossa frente V olto a mergulhar Só sei que nadar sei

Vôo 1909

        A gente nunca tinha viajado juntos. Não...a gente nunca tinha VOADO juntos. Ele dizia que dava azar e que tinha lido isso numa mensagem de um biscoito chinês, no restaurante que a gente se conheceu em Frankfurt. E ele gravou isso de uma forma que. Passamos a viajar sempre separados e, inclusive, nos encontrar com placas de carinho no aeroporto, como se a espera tivesse sido de semanas e não de minutos ou horas. Era assim: Separados no céu. Juntos na terra. Mas dessa vez sim. Dessa vez voamos. Insisti em semanas na improbabilidade de uma mensagem de um biscoito da sorte aleatório decretar a desgraça da nossa presença una no céu. E, enfim, ele topou. Logo quando chegamos ele estava bem nervoso. Brigamos com a aeromoça nos primeiros cinco minutos por conta de uma primeira classe com problemas que nos jogou para classe econômica. Não quis fazer caso: agarrei ele pela mão conduzindo para os assentos, enquanto balbuciava ...

"Deve ser gastrite" (2016)

Reflexo n1.

O corpo silencioso reflete em reflexos  ou concavo ou convexo do seu eixo de desleixo É corpo silenciado que se espelha distorcido torto Pertence ao erro ao desvio e se cala A nudez escondida A pele sorrateira vivendo pelos esgotos alegóricos das praças públicas debaixo dos tapetes persas das salas das manequins de loja em liquidação que ganharam vida e saíram para passear e estampar Shampoos & Condicionadores de farmácia A esse corpo Marginal Lhe foi extraido o pulmão, a vesícula biliar e um pedação do hipotálamo  Espaço de sobra para colocar vísceras no lugar Da pele foi tirada a pigmentação, para que as tripas sejam visíveis para os manequins que ousarem olhar: Quando tomam coragem e o fitam como medusa algo petrifica as peles de plástico  Bonecos não engolem o que é orgânico São olhares  mas são golpes são olhares  mas galopes cinco mil pisões decididos em cima  dessa ...
Que distância pode existir entre a pele e o mais dentro possível?  Que cor tem? Há uma textura que desconheço?  A clausura do fora insiste em me cegar os olhos avessos. INSISTO NA VISÃO QUE EMBAÇA Movimento de z i g z a g               Dentrofora                                                                                                        foradentro                 e  e n t r e t r â n s i t o s Abrindo pálpebras internas a forceps.
Pró-cura de si por si  ensimesmando-se dentro dissignificando significados e ângulos retos procura-se  obstusidades significâncias perspectivas de obscuridade visão oblíqua cavando-se bifurcações de verdades absolutas processos in destruction nos braços da transgressão do que não se vê do que está por dentro do contorno . o avesso do avesso do verso ego é oge ...

Ela foi capturada por um lindo coração furta-cor numa noite bonita de inauguração de sentimento

Colheita Seletiva

Ela disse

Seu dia fora difícil  ela disse  E les todos têm sido difíceis  ela disse  Quando ela se ouviu proferindo facilmente a palavra dificultosa Decidiu se apegar a uma melhor escolha para adjetivar o que seus dias têm realmente sido então ela pensou  e escolheu o  desafio.  Os dias têm sido desafiadores  ela disse Isso: desafiadores de uma maneira antes desconhecida por meus calos. desafiadores  como está lá no dicionário como aquilo que convoca ao jogo à disputa à competição sem nenhum tipo de treino ou preparação nem mesmo um workshop ou uma vídeoaula é o desafio como um estímulo externo que foge a qualquer controle que impulsiona toda a sua matéria para um norte desconhecido ou um desnorte conhecido que o força a morrer e a nascer ela disse desafio não é difícil mas é  extremamente difícil ela disse E desajeitada em um canto da cama,  no silencio sufocante das 4 ...

Clichê número 2016

Tô querendo falar de amor. Há um tempo eu quero falar. F A L A R R R R Mas a voz não sai . Eu coloco a energia necessária para haver som saindo da minha boca em forma de palavras, mas algo acontece no caminho do dizer e a voz não sai. Seleciono as minhas palavras preferidas do dicionário para organizar o que quero falar de uma maneira que concorde com o indizível dos meus pensamentos, mas a voz insiste em sair muda. As palavras que seleciono cuidadosamente rebatem em cada um dos cantos do meu corpo, por baixo da epiderme, ecoam e se perdem no caminho da boca. Não tenho mais voz para o amor. Ou me calei depois de tanto me deparar com ouvidos surdos para ele. Porque ainda há ouvidos, é verdade - há ouvidos abertos para falar de encantamento, de trocas pontuais de suor & poesia, que se encerram em si mesmas tal como uma peça de teatro ou uma brincadeira que enjoa antes mesmo de começar. Fico pensando quantos alguéns, dentre esses 6 bilhões...
Bagunçada desalinhada caótica mexida misturada  deixo minhas desordens pelos territórios que meus pés têm contato.  Não pertenco ao território, pertenço a mim mesma e a toda a extensão de pele que me delineia no espaço.  E me  apego ao  desapego para  apegar às novas  pegadas.  Tateio o espaço-do-aqui-fugidio e exploro meu corpocasaninho na relação com aquilo que meus olhos captam no horizonte. Já não enxergo fronteiras. Eu vou. Por quê não?