Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2015

Sobre um corpo sem órgãos.

estou farta de palavras sobrecarregadas de cálculos e de significações que balançam perdidas paragens da linguagem tagarela e sem conteúdo. preciso do silêncio, do sótão da língua, de onde já não se tem mais convenções só esfregões de corpos, de pensamentos avermelhados convulsivos dispostos no corpo em milhares de contorções suspiros ruídos.  do sótão da língua se ouve alguém que chora, que se debate sobre si mesmo, esbarra com a fera dobrando-se, mais um, muitos. é daqui da onde agarro  a fera e as serpentes trocam de pele. a casa cai toda espatifada em mil pedaços_cristal lúcido e insano troca tudo de lugar, faz ver as fragilidades todas da mulher que não é maravilha, que é carne, que é osso, puro fluxo vermelho reflexo de vida louca. embaixo da roupa sente os instantes instintos todos abaixo do umbigo cortado sufocado. isolada dissipada. quando acorda murcha inteira ao lembrar que não disse nada a sua avó materna, aquela que a rejeitara e depois a olhava de canto pois era...

VOCÊ ESTÁ AQUI [part I]

Aqui. De novo aqui. Outro aqui que não mais o mesmo aqui de outrora.  Aqui efêmero. Sopro de tempo-espaço. E esse recorte geográfico atravessa meu corpo perecível como areia escapando dentre os dedos. Dedos que enrugam a cada aqui. Areia que se perde dentre eles abraçando a gravidade, rumando para um desconhecido inalcançável. Como brisa suave que bate no rosto e que não se deixa estar. Tudo transita. Tudo transa.. Tudo troca. Cambia. E esfregar os olhos, para tentar enxergar melhor pode ser perigoso: o tempo anda com muita pressa e tapar os olhos impede de acompanhar a transformação pertinente aos aquis.  O chronos é apressado e passa batido pelo kairós.  E sigo no contra-fluxo. Como estrangeiro, sentindo o peso de viver entre-fronteiras. E a leveza dos aquis dilatados também. Ignorando ou ao menos tentando ignorar, aqui ou em outro aqui, o tictac que ecoa por todos os cantos e recantos de aquis acolás.