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Mostrando postagens de 2019

tremor

"Às vezes, quando estou sentada a uma mesa, por exemplo, com amigos, ou quando estou no metrô, num domingo à tarde, por exemplo, ou diante das prateleiras do supermercado, à noite, depois do trabalho, me sobe esta raiva. Essa raiva do fato de que ninguém jamais vai saber como eu me sinto de verdade. Como é ser eu. Nunca ninguém verá minhas mãos como eu as vejo. Ninguém vai ter essa sensação, no fundo do peito, que eu tenho quando fico insegura. Aí eu sinto medo. Às vezes sinto medo do mundo lá fora. Não quero sair da minha casa. Não quero ver ninguém. Imagino, quando vou para a rua, que as pessoas ficam me olhando. Fico tão nervosa, que cada ação, seja fazer compras ou andar de ônibus, é um inferno. Eu compro,então,as coisas erradas, porque não quero que as pessoas me vejam em dúvida ou pensando diante de uma prateleira. Desço no ponto errado, porque não quero que as pessoas percebam que acionei sem querer o botão de parada. Que percebam que não sei me orientar, que não sou daqui...
Mil em uma noite(s). Uma voz que não soa como um desafio. [dos olhos que me olham.] As pessoas deveriam se olhar mais nos olhos. [das bocas que me dizem.] Sinto como se já te conhecesse há anos. [dos acasos que me surpreendem.] Sem medo de ser só. Sem medo de ser. E só. [Das mulheres que me habitam e se transformam em vômito poético]
chove fora e dentro. quatro planetas em escorpião e um mercúrio que tá dançando em moon walk. o prédio impregnado de feijão queimado da família que ilustrei na imaginação: um casal heterossexual que já devem ter netos crescidos. ele cozinha pra ela. ele queima o feijão quando chove. e hoje, de fato, chove. chove dentro e fora. chove água mas não a mesma água que inunda quatro planetas com escorpião. ouvi que o retorno de saturno vai até os 33. não aguento mais 4 anos e meio disso. to virando agua igual a sheila melo.

perdendo a linha de ariadne

dando uns passos pra longe de si e não deixar migalhas no caminho e como voltar? como voltar? uma estrada de tijolos amarelos pra quem tem visto tudo em escala de cinza não serve pra muita coisa afinal pongé dentro de um oceano mas esqueci o respirador e como voltar? como ter ar? labirinto habitado por um minotauro sem linha de Ariadne não permite que se conheça o mito até o final a todo instante uma escolha que não se escolhe escolher a violência da renúncia de tudo aquilo que não é que não é que não que não é mas poderia ter sido ............

uma carta sobre morte, alívio e outras fricções da saudade

oi, obrigada por decidir ler as minhas palavras.. antes de mais nada peço desculpas pela verborragia que se segue. não consegui mais estancar a sangria das palavras que precisam escorrer boca afora. preciso confessar, vomitar, expurgar, jogar pra fora do meu corpo isso que tenho ocultado com desventura até de mim mesma.  é que eu sinto uma saudade devastadora. uma saudade devastadora que insisto em calar. com grande esforço eu a ignoro, e ela fica ali, subexistindo. ainda assim é como se a saudade tomasse forma e gritasse todas as palavras ao mesmo tempo, ou acenasse com uma bandeira de cores neon para chamar a minha atenção. o tempo todo. e quando fica insuportável, basta direcionar a mínima energia para que ela devore toda a plenitude de papel construída tão inutilmente em torno de mim de uma só vez. sem dó.  tenho tentado cometer um assassinato. e tenho me saído uma assassina completamente fracassada. preciso matar a saudade. preciso matar cada pedaço dela. por...

campo minado

a gente é khoisa de kharma se não houver pedra no caminho a gente acaba inventando só pra tropeçar mais uma vez o gesto do desgosto o gosto do desgaste um amargo engolido com prazer em uma aposta cega na ausência da gastrite os livros da prateleira são testemunhas do nosso esforço mútuo em querer quebrar carinhosamente & violentamente o muro construído na fronteira de nós muro bélico : como em Berlim voam guerras por cima dele Toma lá! Dá cá! guerra fria que por vezes esquenta  até demais 2 civis com idiomas diferentes insistindo em falar a mesma língua "Não tem por quê!" insisto em levantar bandeira de paz
a gente se repete mesmo. vez em quando tende a insistir em não se ouvir parece um looping necessário como quem decora letra de música pra deglutir poesia a frase por detrás da canção a ação por detrás da sentença da significância, da coisa mesmo desdobrar um processo é viver o processo eu digo um processo íntimo de si de si bem menorzinho