Pular para o conteúdo principal

Longa jornada copo adentro

Quando menos se espera chega um sinal enviado diretamente do passado
tu.tu.tu.
Que faz o corpo correr para o copo
Corpo em copo
(en.garrafa)
Virando tinto 
Escorrendo ao contrário

Já faz dias que é líquida
(Meses)
Shhhh
Escorre
Shhhh
Gota por gota
Embalando a noite infinita
Gotas ritmicas com potência de embalar aquilo que já foi

Shhhhh
Bebe um gole enquanto uma vela ilustra a lei da impermanência  
Já foi o que não é
Já era o que já foi
(O que se tem aqui e agora nesse tempo eternizado por palavras tatuadas em cor-luz?)

Isso não é bom
Bem que poderia ser
Se for 
Então que seja logo
Se for 
Como saber antes que se saiba?
Esse rio escorrendo...
correndo
Onde se corre e escorre junto

Borboletas pousando em um nariz solitário
Duetos com passarinhos perdidos entre as resistentes árvores da selva de pedra
Bem que poderia ser
Se for
Então que seja
Se for
Como saber antes que se tenha certeza?

Já se repete há dias
Certeza de certeza nenhuma

De gole engole se escorre corpo adentro

Que força é essa que não me deixa voar pra longe da casa que já não vivo?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

Vôo 1909

        A gente nunca tinha viajado juntos. Não...a gente nunca tinha VOADO juntos. Ele dizia que dava azar e que tinha lido isso numa mensagem de um biscoito chinês, no restaurante que a gente se conheceu em Frankfurt. E ele gravou isso de uma forma que. Passamos a viajar sempre separados e, inclusive, nos encontrar com placas de carinho no aeroporto, como se a espera tivesse sido de semanas e não de minutos ou horas. Era assim: Separados no céu. Juntos na terra. Mas dessa vez sim. Dessa vez voamos. Insisti em semanas na improbabilidade de uma mensagem de um biscoito da sorte aleatório decretar a desgraça da nossa presença una no céu. E, enfim, ele topou. Logo quando chegamos ele estava bem nervoso. Brigamos com a aeromoça nos primeiros cinco minutos por conta de uma primeira classe com problemas que nos jogou para classe econômica. Não quis fazer caso: agarrei ele pela mão conduzindo para os assentos, enquanto balbuciava ...

pretérito (im)perfeito

e a gente se encontrava e se abraçava forte como se fosse virar uma coisa só e passava os dias e a gente sentia saudade e a gente cozinhava juntas  e eu fazia hamburgers e trufas e tu fazia pizzas e bolos e a gente comia assistindo qualquer coisa que fosse possível maratonar e a gente pedalava juntas sentindo o vento na cara  e a gente dava muita risada dos outros, da gente, da vida e a gente vestia roupas combinando porque o cliché só é cliché porque de certa forma faz sentido e quando chegasse a noite a gente se acomodava na cama conchinha maior depois menor e depois a gente encontrava um novo encaixe pra 2 corpos na horizontal e de manhã a gente sorria feliz de se escolher mais um dia porque nesse faz-de-conta a gente queria a mesma coisa