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Só sei que nadar sei


Você e esses seus olhos
marejados-marejantes
convite para entrar e molhar os pés na sua íris

Você e esses seus cachos
espiralados-espiralantes
chamado para invadir e pular as sete ondas dos seus cabelos

Mas eu não sou de beiradas, afinal
O oceano do seu ser me convoca a imergir
naufragar
afundar
parar para respirar nas suas ilhas
e morar um pouco em cada uma delas

Descansar no tronco do seu corpo-árvore quando o céu da boca estiver cospindo estrelas para sua pele 
Sonoridade celeste
Que faz desvendar as constelações pintadas na epiderme

À deriva 
nada sincronizada
A maré
Já não sei saber
Só deixar levar 
Pelo repuxo de um mar profundo, revolto
Que eu desejo me afogar
E ser reanimada pelo mesmo mar
Que me mostra que o horizonte ainda risca à nossa frente


Volto a mergulhar
Só sei que nadar sei

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