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perdendo a linha de ariadne

dando uns passos pra longe de si e não deixar migalhas no caminho
e como voltar? como voltar?
uma estrada de tijolos amarelos pra quem tem visto tudo em escala de cinza
não serve pra muita coisa afinal

pongé dentro de um oceano mas esqueci o respirador
e como voltar? como ter ar?
labirinto habitado por um minotauro sem linha de Ariadne
não permite que se conheça o mito até o final

a todo instante uma escolha que não se escolhe escolher
a violência da renúncia
de tudo aquilo que não é
que não é que não que não é
mas poderia ter sido
............

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2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

Vôo 1909

        A gente nunca tinha viajado juntos. Não...a gente nunca tinha VOADO juntos. Ele dizia que dava azar e que tinha lido isso numa mensagem de um biscoito chinês, no restaurante que a gente se conheceu em Frankfurt. E ele gravou isso de uma forma que. Passamos a viajar sempre separados e, inclusive, nos encontrar com placas de carinho no aeroporto, como se a espera tivesse sido de semanas e não de minutos ou horas. Era assim: Separados no céu. Juntos na terra. Mas dessa vez sim. Dessa vez voamos. Insisti em semanas na improbabilidade de uma mensagem de um biscoito da sorte aleatório decretar a desgraça da nossa presença una no céu. E, enfim, ele topou. Logo quando chegamos ele estava bem nervoso. Brigamos com a aeromoça nos primeiros cinco minutos por conta de uma primeira classe com problemas que nos jogou para classe econômica. Não quis fazer caso: agarrei ele pela mão conduzindo para os assentos, enquanto balbuciava ...

pretérito (im)perfeito

e a gente se encontrava e se abraçava forte como se fosse virar uma coisa só e passava os dias e a gente sentia saudade e a gente cozinhava juntas  e eu fazia hamburgers e trufas e tu fazia pizzas e bolos e a gente comia assistindo qualquer coisa que fosse possível maratonar e a gente pedalava juntas sentindo o vento na cara  e a gente dava muita risada dos outros, da gente, da vida e a gente vestia roupas combinando porque o cliché só é cliché porque de certa forma faz sentido e quando chegasse a noite a gente se acomodava na cama conchinha maior depois menor e depois a gente encontrava um novo encaixe pra 2 corpos na horizontal e de manhã a gente sorria feliz de se escolher mais um dia porque nesse faz-de-conta a gente queria a mesma coisa