Pular para o conteúdo principal

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem

as portas ficam a 20cm de se fechar

quando um braço tatuado interrompe o movimento 

e ai você já não era mais só

nem ele.

duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito

e o tempo suspenso


você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia

cada sílaba tremia no pires do peito

mas mesmo assim

falou.

falou da cicatriz.

da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz

da moto,

da sexta-feira.

coisas pequenas que encobrem

um coração escancarado.


ele estava mais solto do que a última vez

como se soubesse

que ali dentro morava um perigo bom.

e você,

estava inteira.

tensa.

viva.

completamente fascinada pelo instante.


era só um elevador... alguns podem dizer.

mas a verdade é que todo mundo sabe que os grandes encontros moram

nos menores espaços.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

mecânica-orgânica

Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...

pretérito (im)perfeito

e a gente se encontrava e se abraçava forte como se fosse virar uma coisa só e passava os dias e a gente sentia saudade e a gente cozinhava juntas  e eu fazia hamburgers e trufas e tu fazia pizzas e bolos e a gente comia assistindo qualquer coisa que fosse possível maratonar e a gente pedalava juntas sentindo o vento na cara  e a gente dava muita risada dos outros, da gente, da vida e a gente vestia roupas combinando porque o cliché só é cliché porque de certa forma faz sentido e quando chegasse a noite a gente se acomodava na cama conchinha maior depois menor e depois a gente encontrava um novo encaixe pra 2 corpos na horizontal e de manhã a gente sorria feliz de se escolher mais um dia porque nesse faz-de-conta a gente queria a mesma coisa