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VINTE E UM DIAS

Brilho eterno de uma mente que não esquece
Que se equilibra na corda bamba entre o esquecimento forçoso e a teimosia emudecida
Entre o passadopresente, o presentefuturo e esse tempo sagrado
Kairós
Entre tantas jogadas de tarot:
O líquido derramado
V E R T E N T E
A autodescoberta de não saber nada sobre si
Sobrenada
E sobretudo
Se deixar cair
A gravidade agindo como bem entende
Afinal é essa força gravitacional que transforma a sensação ou o peso que mora em mim que passeia vez em quando
e me faz cair mais leve?
Hora chumbo, hora formiga caindo da cadeira pro chão.
Mas de um jeito ou de outro, queda.
O chão parece estar sempre logo ali, um segundo adiante e
Pés no chão!
E esse segundo adiante já faz alguns dias
Pernas pro ar!
O tempo
Tempo tempo
Mano velho
O profano
O tictac
Esse tempo
Um dos deuses mais lindos
Vai carregar o chão até meus pés
Estou dando tempo ao tempo
Se é isso que ele quer
Me deixando cair, cair
no esquecimento
Tirando todo o proveito de ter uma memória seletiva e frágil
Que pesar!
Todas essas lembranças que eu ainda tenho mas vou esquecer
Um apesar!
Melhor assim
Lembrançasimagenscheiros
persistindo em uma memória falha

Que o tempo tenha o tempo que o tempo precisa ter
E esmaeça velhas paisagens com novas lembranças
que faço questão de inventar

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2x2

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