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Ciclos de uma bacia romântica.


Quantas cidades existiram antes desta?
Quantos verões, quantos carnavais?
Quantas mães, antes da tua mãe e da minha mãe,
Que agora repousam na mãe-Terra?

Quantos encontros para existir esse encontro e quantos bater de asas de borboletas doutro lado do planeta
Que causaram borboletas no estômago de alguém em um canto da America do Sul?

Soube que
Quando duas pessoas se encontram 
(E quando esse encontro decide fluir como água)
Acontece o beijo entre algum ponto de encontro de Oceanos
Uma tempestade submersa
E que
quando termina
Deixa o mar o amar o amante
Completamente embriagados
Soluçando
Com uma percepção afogada de realidade

O passado, o presente e o futuro em uma historia única
Ancestralidade e aspiração numa só linha temporal
A pergunta cosmogônica seria:
Quantos bêbados vieram antes daqueles que ocupam poeticamente as sarjetas de hoje?
E mais
Quantas músicas compostas
Quantas linhas escritas
Quantas lagrimas
Quantas imagens & cheiros & sensações?

Quantas vezes perguntas não foram respondidas
e quantas histórias mal resolvidas que por estarem mal resolvidas se resolveram mal
Quanto amor

Desde o tempo primordial
Desde que a consciência passou a fazer parte do humano
Fazendo virar essa espécie que 
Questiona
E que ama
E sofre
Que chora por aquilo que se vai sem piedade
(Os primeiros rituais foram os fúnebres)
Desde esse tempo
Que um coração partido é um coração partido
Que aos cacos e aos poucos toma nova forma
Um novo coração, 
um coração patchwork
(Um Romero Britto ancestral?)
Quantas reformas já foram feitas no sótão do sentir?
Quanta tranca colocada para a proteção 
Já não foi arrebentada
Por livre espontânea vontade
Para poder limpar o lugar e 
Sem querer
Mas 
(com toda a certeza)
Querendo
Convidar um desconhecido para sentar e brindar com um vinha barato a maresia que paira 

O ciclo do amor dentro do ciclo da vida
///Mitologias ascendentes///
Uma Afrodite que abandona um mortal 
Para ganhar uma aposta
(Péris que se cuide!)
Dois corpos homólogos
Que depois de caminharem juntos
Escolhem 
Cada um
Um lado de uma bifurcação
(Um ângulo oblíquo começa bem pequeno!)
E ao longo dos passos
A bússola compartilhada já não funciona mais
Os caminhos e as evoluções se divergem
É aí
Que quase por instinto
Ou por herança daqueles que no passado se fizeram presente
(Cidades, verões, carnavais, a tua mãe e a minha mãe)
Decide-se então
Deixar lá
No caminho
No passado
No colo de Afrodite 
Aquilo que ficou
Abraçar o destino dos Deuses
E acreditar 
Por mais misterioso que seja aquilo que não se conhece
que o melhor:
o futuro, as aspirações, as novas tecnologias, as novas formas de amar -


Ainda está por vir.

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