Pular para o conteúdo principal

Clichê número 2016


Tô querendo falar de amor. Há um tempo eu quero falar.
F A L A R R R R
Mas a voz não sai.
Eu coloco a energia necessária para haver som saindo da minha boca em forma de palavras, mas algo acontece no caminho do dizer e a voz não sai.
Seleciono as minhas palavras preferidas do dicionário para organizar o que quero falar de uma maneira que concorde com o indizível dos meus pensamentos, mas a voz insiste em sair muda.
As palavras que seleciono cuidadosamente rebatem em cada um dos cantos do meu corpo, por baixo da epiderme, ecoam e se perdem no caminho da boca.
Não tenho mais voz para o amor.
Ou me calei depois de tanto me deparar com ouvidos surdos para ele.
Porque ainda há ouvidos, é verdade - há ouvidos abertos para falar de encantamento, de trocas pontuais de suor & poesia, que se encerram em si mesmas tal como uma peça de teatro ou uma brincadeira que enjoa antes mesmo de começar.
Fico pensando quantos alguéns, dentre esses 6 bilhões de almassolitáriasfadadasaotouchscreen no mundo, que pense como eu e queira falar. E se depare também com os ouvidos surdos e se emudeça. E duvide da sua própria vontade e da pré-disposição para o amor.
Tô querendo falar de amor, mas não dá.
Não dá.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pró-cura de si por si  ensimesmando-se dentro dissignificando significados e ângulos retos procura-se  obstusidades significâncias perspectivas de obscuridade visão oblíqua cavando-se bifurcações de verdades absolutas processos in destruction nos braços da transgressão do que não se vê do que está por dentro do contorno . o avesso do avesso do verso ego é oge ...

Só sei que nadar sei

Você e esses seus olhos marejados-marejantes convite para entrar e molhar os pés na sua íris Você e esses seus cachos espiralados-espiralantes chamado para invadir e pular as sete ondas dos seus cabelos Mas eu não sou de beiradas, afinal O oceano do seu ser me convoca a imergir naufragar afundar parar para respirar nas suas ilhas e morar um pouco em cada uma delas Descansar no tronco do seu corpo-árvore quando o céu da boca estiver cospindo estrelas para sua pele  Sonoridade celeste Que faz desvendar as constelações pintadas na epiderme À deriva  nada sincronizada A maré Já não sei saber Só deixar levar  Pelo repuxo de um mar profundo , revolto Que eu desejo me afogar E ser reanimada pelo mesmo mar Que me mostra que o horizonte ainda risca à nossa frente V olto a mergulhar Só sei que nadar sei

Marielle Presente

sinto as dores fortes do parto parindo milhares delas juntas sangrando 9 meses bem agora jorro que escorre nas coxas de todas nós dos olhos de todas nós parindo mil mortes sentindo a dor daquilo que nasce em óbito cólica que revira útero explodindo jorrando o sangue implorando o vômito de tanta dor enquanto a lua mingua em peixes lá no alto minguam milhares de sereias aqui embaixo sinto todas vocês em mim mitológicas bruxas ancestrais: mulheres sentem dor em manada eles não podem calar nosso uivo