Pular para o conteúdo principal

faz tempo

faz tempo que não escrevo. isso faz a gente perder a prática sabe. eu preciso voltar a escrever um diário. me fazia tão bem. lembro da sensação de escrever a lápis no caderno durante a madrugada, sendo uma adolescente melancólica e deslumbrada ao mesmo tempo. era um momento tão íntimo e grandioso. era o meu momento. comigo mesma. onde me sentia uma personagem de um filme do almodóvar. não tenho tido esses momentos. aliás, sinto como se tivesse perdido a conexão com aquela persona que eu tanto me orgulhava em ser em segredo. em extrapolar em silencio. 

preciso me reconectar. com ela ou ao menos com qualquer coisa. é q sinto essa falta de não sei o quê. como se eu estivesse sempre prestes a encontrar algo que eu continuo a não achar e nem saber o que é. mas tá logo ali. 

eu costumo dizer que entendo clarice lispector e fernando pessoa. talvez acham q eu to falando da obra, mas eu falo do âmago mesmo. do que move a escrita, do pensar. talvez eu nem seja desse tempo. as pessoas falam que minha sobrancelha data os anos 20 do século passado… talvez eu pertença a esse tempo mesmo e tenha vindo parar aqui, sendo millenial, por um acidente de percurso entre dimensões.

não tenho sonhos. não ao menos aqueles que se sonha acordada. durante a noite tenho tantos sonhos que é difícil querer acordar para a realidade pálida da manhã. tem sido difícil acordar. “dormir, talvez sonhar” tem sido meu combustível para continuar existindo. a horizontalidade anda me conquistando a ponto de não desejar mais nada. apenas o leito quieto e quente.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

mecânica-orgânica

Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

Dark side of the luaemgêmeos

Ai de mim! Uma lua que flutua! Quantas vozes falando ao mesmo tempo! Essa mania de querer presentear com termos os não-nomeáveis sentimentos. Galera: não dá pra ouvir ninguém! Que trabalho estéril! Dar nome ao que não se pode dar nome... Que não o faça mais! As vozes: elas não param! Que trabalho estéril! Elas se encarregam de gritar nomes & termos para me ajudar a esclarecer tudo isso que não é passível de esclarecimentos Me sinto como em uma guerra de conceitos, pescando no meio de ruídos pequenos excertos de cada sentença lunar Pedaço daqui pedaço dali Construo um Frankstein de significâncias Que não servem pra nada além de significar & ressignificar Para construir um castelo em cima de terra inflamada & movediça Que logo desmorona com a primeira nova genial ideia de dar novos significados Que trabalho estéril! As vozes, elas não param nunca! Que  trabalho  estéril! Continuam sem descanso, se reposicionando sobre as sensações que parasitam em mim Como se fosse u...