Quando eu era pequena e sentia dores nas pernas minha mãe dizia que era porque crescer dói. “Dor-de-crescimento!”, ela dizia. E dói. Dói mesmo, os ossos espicham: não é fácil e não tem como ser. Primeiro os ossos, acompanhados pelos músculos e pele… depois os pelos, depois os peitos… O sangue que começa a escorrer uma vez por mês e não para mais.
Além dessa aventura biológica louca do crescer, tem as primeiras experiências que a acompanham. O primeiro ônibus sozinha, a primeira escola no centro da cidade...Depois a primeira noite na cidade baixa e o primeiro baseado que amorteceu todos os músculos e trouxe gargalhadas insanas. Também tem o primeiro beijo hetero, depois o primeiro beijo gay e a primeira namorada. O primeiro sexo. Tem o primeiro término que vem junto com a primeira vez que se acha que nunca mais vai parar de sentir aquela dor.
Me pergunto sobre esse crescer que quase alcança os 30 anos de vida. A altura estabilizada, o peso aumentando e baixando dependendo da fase da vida, a voz já soando como singularidade. Os ossos não crescem e há poucas inaugurações ou talvez ela sejam menos visíveis.
Então...se cresce COMO aos 30? De que jeito?
Talvez alguém com 40 possa me dizer sobre a sua experiência, mas agora, no auge da minha prepotência de 27 anos, me parece que nunca se para de crescer. E a máxima da dona Rita, vulgo minha mãe, sobre a dor estar presente no crescimento, se aplica tanto quanto. Entretanto, me parece mais subjetivo esse crescer e, arriscaria dizer, facultativo. Porque é confortável não crescer, afinal: como desejar a dor que está vinculada ao crescimento? Esses ossos metafóricos que precisam esticar os músculos invisíveis para engrandecer a alma. São decisões difíceis e cheias de atravessamentos.
Acho que um osso crescido aos 27 é quando se entende perfeitamente os erros dos pais. Quando se está completamente perdido e aí você percebe que tem a idade que sua mãe tinha quando você veio ao mundo.
Talvez outro osso crescido seja quando você começa a priorizar a qualidade em detrimento de qualquer quantidade falsamente deslumbrante. Isso se aplica para amigos, amores, viagens, roupas, drinks. E não tem a ver com qualquer certeza de saber quem se é. Tem a ver com a capacidade de se preservar, creio. Aliás, "preservar" é um verbo que começa a fazer parte importante do vocabulário aos 27.
Quem sabe esse crescer que acompanha o envelhecer seja muito diferente para cada um. Para mim anda sendo esse misto de dor e reencontro. Dor porque, também segundo minha filósofa favorita que também me deu à luz, se aprende com ela. Ou pelo amor, mas esse caminho aí é menos comum. O reencontro se dá por essa frequente viagem ao interior de mim, de beber em memórias e resgatar algo que está entre o amor-próprio e o quê de essencial de ser quem se é.
Viver é louco, viu.
Seguimos crescendo.
Além dessa aventura biológica louca do crescer, tem as primeiras experiências que a acompanham. O primeiro ônibus sozinha, a primeira escola no centro da cidade...Depois a primeira noite na cidade baixa e o primeiro baseado que amorteceu todos os músculos e trouxe gargalhadas insanas. Também tem o primeiro beijo hetero, depois o primeiro beijo gay e a primeira namorada. O primeiro sexo. Tem o primeiro término que vem junto com a primeira vez que se acha que nunca mais vai parar de sentir aquela dor.
Me pergunto sobre esse crescer que quase alcança os 30 anos de vida. A altura estabilizada, o peso aumentando e baixando dependendo da fase da vida, a voz já soando como singularidade. Os ossos não crescem e há poucas inaugurações ou talvez ela sejam menos visíveis.
Então...se cresce COMO aos 30? De que jeito?
Talvez alguém com 40 possa me dizer sobre a sua experiência, mas agora, no auge da minha prepotência de 27 anos, me parece que nunca se para de crescer. E a máxima da dona Rita, vulgo minha mãe, sobre a dor estar presente no crescimento, se aplica tanto quanto. Entretanto, me parece mais subjetivo esse crescer e, arriscaria dizer, facultativo. Porque é confortável não crescer, afinal: como desejar a dor que está vinculada ao crescimento? Esses ossos metafóricos que precisam esticar os músculos invisíveis para engrandecer a alma. São decisões difíceis e cheias de atravessamentos.
Acho que um osso crescido aos 27 é quando se entende perfeitamente os erros dos pais. Quando se está completamente perdido e aí você percebe que tem a idade que sua mãe tinha quando você veio ao mundo.
Talvez outro osso crescido seja quando você começa a priorizar a qualidade em detrimento de qualquer quantidade falsamente deslumbrante. Isso se aplica para amigos, amores, viagens, roupas, drinks. E não tem a ver com qualquer certeza de saber quem se é. Tem a ver com a capacidade de se preservar, creio. Aliás, "preservar" é um verbo que começa a fazer parte importante do vocabulário aos 27.
Quem sabe esse crescer que acompanha o envelhecer seja muito diferente para cada um. Para mim anda sendo esse misto de dor e reencontro. Dor porque, também segundo minha filósofa favorita que também me deu à luz, se aprende com ela. Ou pelo amor, mas esse caminho aí é menos comum. O reencontro se dá por essa frequente viagem ao interior de mim, de beber em memórias e resgatar algo que está entre o amor-próprio e o quê de essencial de ser quem se é.
Viver é louco, viu.
Seguimos crescendo.
leí varias de tus entradas (claro que bastante lento y pausado por cuestiones de idioma jaja) y esta me decidió a dejarte un comentario, me sentí identificado por estar atravezando parte de esa etapa. Dandole espacio a pensamientos recurrentes acerca de lo que "crecer" resignifica en cada camino, el ir construyendose poco a poco y ver como eso deja más preguntas que respuestas, algo hermoso a mi parecer. Empezar a conocerse de verdad.
ResponderExcluirPero también está esa otra cosa, cierta también, cuando no te ves reflejado en lo que proyecta el resto sobre los "mandatos" o proyectos de vida esatipulados. Va de la mano con la edad, supongo. pero bueno, por suerte cada uno es un mundo :)
perdón por el español, la próxima usaré traductor para no darte trabajo jaja!
saludos y muy muy lindo espacio!