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A efemeridade do encontro da lua e do sol no céu escarlate de uma segunda-feira

Segundo o que se sabia, não poderia existir tal encontro.
De um lado o sol, iluminando toda a superfície que os seus raios alcançam, como faz dia após dia.
Do outro, a lua, singela na sua frieza e beleza noturna, invadindo o espaço estranho diurno.
Juntos os dois astros opostos apostam numa possível combinação. O destino irônico separou-os deixando para cada um a metade do que existe de tempo na vida.
A intensidade do sol, sem perceber, persuadiu a lua a sair do seu conforto habitual hoje. O satélite natural saiu da sua comodidade para desfrutar do calor tão atraente e único que aquele Deus Amarelo-ouro brilhante proporciona.
E o sol, abismado com a beleza da lua: aquela mancha branca perfeita e delineada desenhada sobre o cenário do infinito.
Por um momento a lua esquece que já pertenceu à noite, e o sol não percebe estar iluminando o mundo, mas simplesmente continua a brilhar, admirada pela beleza lunar.
Os dois ficam contemplando a beleza um do outro, apaixonados pela diferença linda que os identifica como únicos no mundo.
A Lua tão fria e ao mesmo tempo tão doce, aparecendo para o sol quando deveria estar descansando, pergunta ao astro brilhante:
- Sol, por que não fazes o mesmo que eu? Por que tu não vens me visitar quando é noite e assim posso mostrar como é meu mundo?
O Sol responde:
-Se eu aparecesse durante a noite, minha luz ofuscaria a tua, e a noite não seria a tua bela noite. Se eu ficasse ao teu lado na tua hora de brilhar, os meus raios cegariam a magia hipnotizante que deve ser teu luar. Então, prefiro que seja assim: que tu brilhes e eu imagine teu brilho, para não estragá-lo. E que as estrelas continuem enfeitando teu espetáculo para que também os apaixonados possam sentir o que eu sinto quando você está presente.
Enquanto isso não paro de apreciar tua beleza, mesmo de longe, esperando ansiosamente a tua próxima visita.
Mas...Lua, por que você demora tanto para reaparecer? Some e fica muitos dias sem vir me ver?
A Lua, sem jeito, replica:
- Sol...Eu sou tão pequena e opaca. Tu és tão vivo e lindo. Como me igualar a tal beleza? Se fico sem vir é porque estou tomando coragem para ousar pintar a tela da obra de arte que é teu dia.
Quando apareço, percebe como fico tímida? Às vezes não consigo nem aparecer inteira. Fico passiva, te olhando, amando cada instante que recebo o teu calor.
Quando no fim tu te vai e eu fico só, com a noite e as estrelas, eu brilho como nunca e fico cheia de alegria contando sobre ti para as constelações.
Mas, Sol...Quero que tu saibas que a impossibilidade de ficarmos juntos só faz desse amor forte e único. Daqueles para ser eternizado. É bom sentir o sentido do amor verdadeiro, meu bem. Brilha! E eu continuo a brilhar também.
E não esqueci que nos fundiremos em breve. Espero ansiosamente pelo nosso eclipse.

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