Novas caras estampando a capa da caixa preta. Sorrisos escondidos, amarelos, interrogando em silêncio sobre a história já escrita.
Palavras ensaiadas saindo em cor monocromática, com pequenos nuances de tom para disfarçar a atmosfera robótica.
Descontração na contração do parto da moralidade. Dissociação da homogeneidade e fluidez, do fluxo das relações.
Olhos desatentos no atentado do mau uso da palavra, da banalização de pontos de vista, do falso moralismo, das rugas abertas à fórceps.
Ansiedade, o mau do século. A insegurança se mascara em meio ao tumulto e a fuligem das informações simultâneas.
Coça a boca; se abana; ajeita-se no assento. Tira o plástico de proteção do relógio novo (bem mais moderno que o antigo); estala os dedos. Estala o chão.
Ter cuidado para não piscar por mais tempo que o permitido. Para a Peste do Pestanejo não há vacina, tratamento, cura ou compaixão. O açoite é certo.
A dor do golpe permanece por algum tempo, às vezes por tempo indeterminado, por vezes, não cessa. A palavra de ordem é abrir os olhos. Ditadura do dito “bom senso”.
Por fim, são todos bonecos de ventriloquismo.
Ao mesmo tempo em que o tempo vira história, se renovando, a perspectiva parece imutável, visão estagnada, astigmada, embaçada. Aguçam-se os outros sentidos.
Os olhos se acomodam no caos da inquietude. A pupila se dilata na utopia da felicidade sincera.
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