Pular para o conteúdo principal

Vomito.


O fluxo corre em um sentido oposto ao normal, mas isso é tão comum no mundo, que o que me parece desesperador, não desperta qualquer compaixão nas outras pessoas.
Não que eu queira, ou deseje a compaixão, mas o ser humano é um eterno submisso de mentiras sinceras, de ombros (ini)amigos, de sorrisos amarelos; o homem (e isso desde os primórdios) precisa de um apoio APARENTE por suas fraquezas.
A ironia do destino nem sempre é irônica, às vezes é daltônica e com visão astigmática, embaralhada. Depois de um pseudo-traço certo da vida, uma pequena certeza de um horizonte, a fruta termina, porque um dia, o que é gostoso, chega ao fim. Depois só sobra o caroço e o corpo pede uma nova maçã vermelhinha e suculenta.
Porém, têm maçãs que nos saciam não só com as mordidas 'cracks' de sua 'vida útil', mas também, e não menos, com seu perfume e beleza.
A gente poupa essa maçã, e a devora com uma sutileza nunca antes experimentada.
Depois de muito tempo, a maçã antes vermelha e roliça, se transforma em um corpo irregular e amarelado.
O melhor de tudo é olhar pra maçã e sentir o mesmo sabor, o mesmo aroma, a mesma beleza.
Essa fruta única lhe proporcionara sensações extraordinárias, que você nunca gostaria de (re)viver com nenhuma outra fruta...Só com a sua maçã.

No fim, vocês estarão marcadas, com machucadinhos, talvez murchas.
Mas você e sua maçã, continuam sendo você e sua maçã. Continuam tendo a mesma afinação entre sí.
E no fim, mas bem no fim...se descobre que é só isso que vale: A afinação entre os dois pontos.

Cuide bem da sua maçã, seja qual for.

Comentários

  1. Prazer, Keka! Me chamo Carla e pra ser sincera, garota eu adorei o teu blog. Tambem sou gaucha, mas de Novo Hamburgo. Encontrei teu blog por acaso fazendo pesquisas sobre o teatro no periodo da Rainha Elizabeth e tambem sobre Marlowe. Te achei culta pra caramba! hahahaha
    E adorei que tu estuda na UFRGS, tentei Psicologia agora no verao e nao consegui...Espero conseguir no proximo vestibular.

    Posta com mais frequencia! :)
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

mecânica-orgânica

Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

Dark side of the luaemgêmeos

Ai de mim! Uma lua que flutua! Quantas vozes falando ao mesmo tempo! Essa mania de querer presentear com termos os não-nomeáveis sentimentos. Galera: não dá pra ouvir ninguém! Que trabalho estéril! Dar nome ao que não se pode dar nome... Que não o faça mais! As vozes: elas não param! Que trabalho estéril! Elas se encarregam de gritar nomes & termos para me ajudar a esclarecer tudo isso que não é passível de esclarecimentos Me sinto como em uma guerra de conceitos, pescando no meio de ruídos pequenos excertos de cada sentença lunar Pedaço daqui pedaço dali Construo um Frankstein de significâncias Que não servem pra nada além de significar & ressignificar Para construir um castelo em cima de terra inflamada & movediça Que logo desmorona com a primeira nova genial ideia de dar novos significados Que trabalho estéril! As vozes, elas não param nunca! Que  trabalho  estéril! Continuam sem descanso, se reposicionando sobre as sensações que parasitam em mim Como se fosse u...