Pular para o conteúdo principal

A fragmentação em Woyzeck e a Ópera de Três Vinténs


Pensando na linha aristotélica, a história tem um desenrolar linear, com os acontecimentos se passando de uma forma contínua, demonstrando assim, uma certa 'realidade' nos fatos. Mas, Brecht e Büchner, dois dramaturgos do século XX, quebram com essa linearidade do tempo, onde se utilizam de uma fragmentação dos acontecimentos para a escritura de suas peças.
Em Woyzeck, de Büchner, peça que não foi 'terminada' pois o autor falece antes de concluir, o autor utiliza-se de saltos entre suas cenas, sinalizando-as por títulos de onde aconteceria a cena, ou seja, o cenário de cada uma. A peça se dá com saltos, uma hora aparecem certos personagens, noutra outros. E assim, mesmo não seguindo a linha aristotélica de contar uma história no teatro, é contada a história de Woyzeck, que se baseia em fatos reais da época, envolvendo infidelidade, imobilidade de classes, aceitação de uma subvida,de Woyzeck quando cede seu corpo a experiências do Doutor, por uns trocados.
Na peça de Brecht, "A ópera de três vinténs", a fragmentação da fábula também aparece, utilizando-se de seu 'efeito de estranhamento'. Para Brecht, um personagem tem que transparecer que é apenas um personagem, e que a fábula é apenas teatro. Ele se preocupa mais com o que o espectador vai pensar sobre o destino de Macheath e Polly, e que rumo isso daria para a vida dele, do que o destino dos personagens propriamente dito. Isso causa um tipo de afastamento entre a fábula e o espectador, causando o efeito de estranhamento que Brecht propõe, comunicando então que o que o espectador assiste não é vida real, é teatro, é uma peça. Vale ressaltar na crítica que Brecht faz às histórias, quando escreve o final com triunfo do bandido, dizendo que vive numa sociedade onde o crime compensa.
Mesmo quebrando com o pensamento aristótelico, Brecht e Büchner, com isso em comum, foram grandes marcos para o teatro mundial, inovando as peças e embelezando com as sua dramaturgia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

mecânica-orgânica

Tu é como um susto manso. Um trovão que sussurra. O silêncio que me encosta mais do que qualquer palavra.  Não é sobre te conhecer. É sobre te reconhecer. Como se tu fosse uma porta que minha alma empurrou no escuro sem saber que do outro lado ia ter luz. E quando teus olhos cruzaram os meus — foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio por um segundo, só pra eu ouvir o que o meu corpo dizia sem dizer. Ou melhor, gritava. Era um arrepio antigo, um frio na barriga que parecia abraço de memória. Tipo quando a gente lembra de algo que ainda não viveu, mas jura que já sonhou em alguma vida. E eu só queria poder tocar teu rosto com o pensamento, só pra te avisar que você existe em mim como música mesmo nos dias em que eu não escuto nada. Eu fico tentando não pensar. Mas teu nome sem som grita por dentro como se tivesse sido escrito nas paredes do meu estômago.  Palavras-borboletas, mecânica-orgânica. Quando respiro fundo tu vem. Na forma do ar que eu inspiro na curva do céu que ...

2x2

era fim de tarde ou começo de alguma coragem as portas ficam a 20cm de se fechar quando um braço tatuado interrompe o movimento  e ai você já não era mais só nem ele. duas presenças no mesmo quadrado de ar rarefeito e o tempo suspenso você segurava palavras como quem carrega uma xícara cheia cada sílaba tremia no pires do peito mas mesmo assim falou. falou da cicatriz. da piada inventada na copa aobre um urso que causou a cicatriz da moto, da sexta-feira. coisas pequenas que encobrem um coração escancarado. ele estava mais solto do que a última vez como se soubesse que ali dentro morava um perigo bom. e você, estava inteira. tensa. viva. completamente fascinada pelo instante. era só um elevador... alguns podem dizer. mas a verdade é que  todo mundo sabe que  os grandes encontros moram nos menores espaços.

Dark side of the luaemgêmeos

Ai de mim! Uma lua que flutua! Quantas vozes falando ao mesmo tempo! Essa mania de querer presentear com termos os não-nomeáveis sentimentos. Galera: não dá pra ouvir ninguém! Que trabalho estéril! Dar nome ao que não se pode dar nome... Que não o faça mais! As vozes: elas não param! Que trabalho estéril! Elas se encarregam de gritar nomes & termos para me ajudar a esclarecer tudo isso que não é passível de esclarecimentos Me sinto como em uma guerra de conceitos, pescando no meio de ruídos pequenos excertos de cada sentença lunar Pedaço daqui pedaço dali Construo um Frankstein de significâncias Que não servem pra nada além de significar & ressignificar Para construir um castelo em cima de terra inflamada & movediça Que logo desmorona com a primeira nova genial ideia de dar novos significados Que trabalho estéril! As vozes, elas não param nunca! Que  trabalho  estéril! Continuam sem descanso, se reposicionando sobre as sensações que parasitam em mim Como se fosse u...